A Revista da ABPN é um periódico de acesso livre e gratuito, publicado com periodicidade trimensal pela Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as), em versão eletrônica, disponível em: http://abpnrevista.org.br/revista. Seu principal objetivo é dar visibilidade às discussões sobre relações raciais a partir da produção de pesquisadores(as) e intelectuais negros(as), bem como de outros(as) comprometidos(as) com a promoção da equidade racial e a produção de conhecimento sobre África e diásporas africanas, em escalas nacional e internacional. Tem como público-alvo pesquisadores(as) e comunidade acadêmica em geral,  membros de organizações e instituições que trabalham com a questão racial, pessoas interessadas no debate sobre as relações raciais.

Revista da ABPN - Preenchimento obrigatório do ORCID

2020-09-29

Prezad@s autor@s, leitor@s, pareceristas e comunidade em geral,

Informamos que a partir de Agosto de 2020, tod@s aos autores que submeterem manuscritos para a Revista da ABPN deverão informar/preencher o ORCID.

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Equipe Editorial da Revista da ABPN.

v. 18 n. 46 (2026): Dossiê temático - INTERSECCIONALIDADE(S), OPRESSÃO EPISTÊMICA E RESISTÊNCIA: ENFOCANDO AS LENTES PARA A IGUALDADE E A JUSTIÇA SOCIAL A PARTIR DE PATRICIA HILL COLLINS

Abrimos este Dossiê temático como quem ergue uma voz ancestral para desafiar silenciamentos e reescrever a história. O poema de Maya Angelou,  Still I Rise, que inicia este volume, não apenas inspira, mas encarna os princípios que sustentam este conjunto de reflexões: a denúncia das violências estruturais de raça, gênero e classe; a valorização da experiência vivida como conhecimento legítimo; e a afirmação da resistência como prática cotidiana e coletiva. Nos versos de Angelou, a interseccionalidade aparece como insubmissão. Quando pergunta “Does my sassiness upset you?” ou afirma “I am the dream and the hope of the slave”, a poeta mobiliza linguagem, corpo, memória e denúncia para construir uma ética de recusa à dor naturalizada, ao apagamento histórico, à marginalização epistêmica. Sua poética incorpora também o desejo, o riso e a esperança como dimensões da vida que não estão dissociadas da luta política. A presença negra e feminina, nesse texto, é um levante contra os discursos hegemônicos e uma convocação à reexistência. Não por acaso, Patricia Hill Collins, cuja obra ancora teoricamente este dossiê, dedica atenção especial a Maya Angelou em seu livro Pensamento Feminista Negro. Collins reconhece a importância da autobiografia I Know Why the Caged Bird Sings como exemplo paradigmático de uma epistemologia baseada na experiência vivida. Angelou relata, com profundidade e coragem, sua trajetória marcada pelo estupro na infância, pela vivência do colorismo e pela interiorização de padrões estéticos racistas. Ao mesmo tempo, exalta o papel das mulheres negras mais velhas, mães, avós e mentoras, como guardiãs e transmissoras de saberes essenciais à sobrevivência e à dignidade. A escrita de Angelou, como destaca Collins, não apenas testemunha a violência racial e sexual, mas também a transforma em potência coletiva de resistência. Sua voz representa um modo radical de dizer o indizível, inscrevendo-se em uma tradição intelectual negra que reivindica dignidade, justiça e liberdade. Agradecemos imensamente a todas as autores e autores que contribuíram para esta importante reflexão acerca da necessidade de refundação do conhecimento a partir da perspectiva interseccional. Boa leitura a tod@s!  

Este Dossiê foi organizado pelo Professor Kleber Aparecido da Silva (Unb e CNPq) e pela Professora Bruna Carolini Barbosa, da Universidade Estadual do Norte do Paraná.

Publicado: 2026-07-08

REFLEXÕES SOBRE O DISCURSO DE UMA HISTÓRIA ÚNICA

João Marcelo de Souza Melo Rodrigues

430-436

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