MULHER NEGRA COM DEFICIÊNCIA VISUAL NA GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA: REFLEXÕES SOBRE COSMOPERCEPÇÃO DE OYÈRÓNKẸ́ OYĚWÙMÍ E INTERSECCIONALIDADE
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Resumo
O objetivo deste artigo é refletir acerca das potencialidades de Dandara, uma mulher negra com deficiência visual, graduanda do curso de psicologia em universidade de MG. Trata-se de um estudo qualitativo de caráter exploratório, embasado no conceito de cosmopercepção de Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí e no conceito de interseccionalidade de Patricia Hill Collins. Como procedimento foi realizada uma entrevista semiestruturada com questões sobre identidade étnico-racial, deficiência visual, gênero e as vivências na universidade. Em um primeiro momento, apresentamos as narrativas de Dandara evidenciando suas resistências simultâneas ao racismo, capacitismo, machismo e às opressões elitistas do ambiente acadêmico eurocentrado. Em seguida, abordamos as reflexões sobre cosmopercepção yorubá de Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí e o conceito de interseccionalidade de Patricia Hill Collins. A descolonização do conhecimento científico perpassa experiências de mulheres negras com deficiência visual, simbolizando potência, pluriversalidade e resistência às estruturas de opressão, nos mostrando como experienciar o mundo por meio dos sentidos que não sejam a visão. Elas acessam uma condição existencial de preciosos sentidos, abrindo caminhos para incorporar o invisível e descolonizar subjetivamente.
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