NARRATIVAS DE MULHERES NEGRAS PERIFÉRICAS BRASILEIRAS ACERCA DOS ATRAVESSAMENTOS DAS OPRESSÕES INTERSECCIONAIS EM SEUS COTIDIANOS UM ESTUDO QUALITATIVO
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Resumo
Os processos de apagamentos produzidos pelo patriarcado, sexismo, racismo e colonialismo evidenciam as principais violações e violências interseccionais existentes no cotidiano das mulheres negras no Brasil. A naturalização destas opressões nas experiências e vivências das mulheres negras marcaram um lugar específico da mulher negra na sociedade brasileira. O objetivo deste estudo foi compreender o cotidiano de mulheres negras vulnerabilizadas a partir das repercussões das questões raciais, de gênero e de classe social. Trata-se de um estudo qualitativo, orientado pela abordagem da História de Vida, com a participação de seis mulheres negras periféricas de um município pernambucano. As entrevistas foram realizadas entre janeiro e março de 2022. As narrativas foram tratadas pelo método de Análise Temática onde emergiram dois temas centrais: (1) Os cenários das opressões interseccionais: Cenários de identidades; Cenários de assédio e violência sexual; Cenários de Cuidado e Família. (2) Cenários de resistência para existir. As narrativas das participantes revelam a influência das questões raciais, de gênero e de classe em suas vidas, marcadas por violências e apagamentos. O projeto colonial de embranquecimento as afasta do auto-reconhecimento, gerando experiências alienantes. Apesar das violências, as mulheres resistem e ressignificam suas trajetórias através do cuidado de si e da coletividade, buscando estratégias de proteção e reconhecimento como sujeitas ativas na transformação social. É necessário aprofundar estudos sobre a população negra, especialmente mulheres, e incorporar a teoria da interseccionalidade na formação acadêmica para lidar com desigualdades e exclusões.
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